Em Busca do Elo Perdido – Crítica da Categoria Arte

Os Mutantes-Os Mutantes (1968)
Ficha técnica
Produção: Manuel Barenbein
Arranjos: Rogério Duprat
Participação especial: Clarisse Leite, Jorge Ben e Dirceu
O álbum de estréia da banda tem foco principal nos ideais sonoros do movimento. O álbum, além de composições da banda, reúne composições de Caetano e Gil, como “Panis et Circenes”, canção filosófica que liga a política do Pão e Circo com a situação do país na época e “Bat Macumba”, com sua métrica e temática únicas, somadas ao efeito criado pelo pedal da guitarra de Sérgio. De Caetano, gravaram ainda “Baby”, com um maravilhoso arranjo e também “Trem Fantasma”, feita em parceria com a banda, onde na introdução fazem uma espécie de homenagem à Banda de Pífaros de Caruaru, da qual Gil e Caetano tinham grande admiração. Jorge Ben contribuiu com “A Minha Menina”, onde também toca violão e faz alguns vocais. Os pais de Arnaldo e Sérgio também contribuíram neste disco. A mãe, Clarisse Leite, toca piano na faixa “Senhor F”, composição sensacional do trio e o pai, Dr César, participa dos vocais em “Ave Gengis Khan”,  uma “homenagem” do grupo ao  imperador mongol. Nas canções “O Relógio” e na francesa “Le Premier Bonheur du Jour” mostram grandes elementos experimentais. Na primeira, usam percussões feitas no próprio estúdio com tampas de garrafa e na segunda, o tempo é marcado com uma bomba de Flit. Além da interpretação de “Le Premier Bonheur du Jour”, está presente a canção de Sivuca e Humberto Teixeira, “Adeus Maria Fulô” que retrata a situação da seca no país e a tradução de uma música do The Mamas and Papas, batizada “Tempo no Tempo”. O disco atingiu o 9º lugar na lista dos “100 melhores discos de música brasileira” da revista Rolling Stone.Tropicalistas-Tropicália ou Panis et Circencis 1968
Arranjos e regência: Rogério Duprat
Produção: Manuel Barenbein

Esse disco ficou conhecido como “disco manifesto do Tropicalismo” e segundo o dicionário, um manifesto é “uma declaração pública de princípios e intenções”. Portanto, esse disco veio a mostrar os principais ideais tropicalistas, algo ainda inédito no Brasil. Gravado em Maio de 1968 e lançado pela Philips, Tropicália ou Panis et Circenses além de contar com a maioria das composições feitas pelos principais “expoentes” musicais do movimento, ainda contou com a particição dos compositores (também participantes ativos do movimento) José Carlos Capinan, que compôs em parceria com Gil a música “Miserere Nobis”, faixa que abre o disco e com Torquato Neto, que compôs as músicas “Geléia Geral” (com Gil) e “Mamãe, Coragem” (com Caetano). Além das já citadas, traz Nara Leão cantando “Lindonéa”, de Caetano, o clássico de Tom Zé “Parque Industrial”, a porta de entrada do primeiro disco d’Os Mutantes, “Panis et Circenses” e uma nova interpretação da também gravada pelo trio “Bat Macumba”.  O disco ficou em 2º lugar na lista dos melhores álbuns de música brasileira eleito pela revista Rolling Stone e sua importância e influência atravessam décadas, encantando artistas de diversos estilos e formações. O experimentalismo, a genialidade dos compositores e os arranjos incríveis de Duprat dão a esse disco a condição de indispensável nas estantes dos brasileiros.

Caetano Veloso-Caetano Veloso (1968)
Produção: Manoel Barenbein
Arranjos: Júlio Medaglia, Sandino Hohagen e Damiano Cozzella
Participação: Musikantiga, Beat Boys, Os Mutantes e RC-7

Não me recordo bem, mas este deve ter sido meu primeiro contato com a Tropicália. Julgando o disco pela capa (e que capa!), pensei “deve ser um disco de rock do Caetano, preciso ouvir”. Ao mesmo tempo era um disco de rock e não era. Os três grandes clássicos tropicalistas de Caetano estão presentes nesse disco. Começando com “Tropicália”, que se inicia com um discurso do percussionista Dirceu no estilo “Descobrimento do Brasil”. As outras duas inclusas são “Alegria, alegria”, canção que Caetano apresentou no festival de 67 e “Superbacana”, uma bela mescla do rock com arranjo orquestral perfeito. A belíssima canção “Clarice” era odiada por Caetano, mas acabou por entrar no disco. Na parceria com Gil “No dia em que vim me embora”, o destaque fica para o órgão. Falando ainda em Gil, outra composição sua bem Tropicalista entra nesse disco, “Soy loco por ti, América”. O disco ainda tem bossinhas bem rítmicas, como “Onde andarás”. Para finalizar o disco, Caetano ainda escolhe uma música fantástica chamada “Eles” onde no fim diz uma de suas frases mais geniais: “Os Mutantes são demais!”

Tom Zé-Tom Zé (1968)
Produtor: João Araújo
Arranjos: Damiano Cozella, Sandino Hohagen
Participação Especial: Os Versáteis e Os Brasões

Cada vez que ouço esse disco, acredito menos que foi lançado nos tempos da ditadura. Já de início, temos a canção que deu a Tom Zé o primeiro lugar no Festival da TV Record em 68, onde tocou acompanhado d’Os Brasões, “São São Paulo”, que retrata a forma como a cidade funciona. Algo notório no disco é a crítica ao comportamento da sociedade em suas diversas faces de forma sarcástica, como nas faixas “Sem estrada e sem mais nada”, “Sabor da burrice”, “Gloria” e principalmente “Profissão Ladrão”, um samba com ritmo progressivo que narra a história de um trabalhador, por vezes confundido com um ladrão e ainda ilustra os tipos de larápio, falando até de figuras nacionais e diplomatas. Na sonoridade do disco, notamos a presença dos belos arranjos e uma boa exploração do órgão, tudo com o bom ritmo do samba, do frevo e outros ritmos nordestinos. Além das citadas, o disco traz dois clássicos do movimento. “Namoradinho de Portão”, gravada também por Gal Costa, onde nesta faixa inclui-se uma bela linha de flauta- com direito a “Cai, cai, balão” na introdução- e um dos ápices da Tropicália, “Parque Industrial”, com arranjo bem diferente da versão do álbum manifesto.

Rogério Duprat-A banda tropicalista do Duprat (1968)
Produção: Manoel Barenbein
Arranjos e Regência: Rogério Duprat
Participação Especial: Os Mutantes

A Banda Tropicalista do Duprat foi idealizado pelo produtor Manoel Barenbein, achando que sendo tão importante para o movimento, o maestro deveria ter seu próprio disco. Idéia magnífica, o que pecou é que o repertório não ficou com tantas características Tropicalistas, porém isso não fez deste um disco ruim ou sem importância para o movimento. O disco é basicamente composto por covers rearranjados pelo maestro. Duprat contou nesse disco com a participação d’Os Mutantes, que gravaram as faixas “Canção para inglês ver/Chiquita Bacana”, medley que funciona muito bem, “Cinderella rockfella”, “The rain, the park and other things”, que não saiu nada brasileira, mas ficou muito bem e a beatlemaniaca “Lady Madonna”, que ficou mais rítmica e nota-se mais a presença do piano. Ainda dos Beatles, Duprat fez um novo arranjo para “Flying”, canção do álbum Magical Mystery Tour.  “Chega de Saudade” recebeu um arranjo que deve ter feito o queixo dos grandes conservadores de época cair. Deixando este grande clássico da Bossa Nova com cara de música de gafieira e adicionando alguns elementos da música pop, Rogério Duprat fez mais uma vez jus ao eu apelido de “mago”. Passando do discípulo para o mestre, temos uma versão instrumental de “Baby”, composição de Caetano, que ficou mais emocionante e suave do que na versão original. No mais, temos a primeira canção “Judy in disguise”, que ficou com mais cara de brasileira com a adição da cuíca, e os medleys de “Canto chorado/Bom tempo/Lapinha” e “Ela falava nisso todo dia/Batmacumba”, tendo a última ficado com um ar carnavalesco muito legal.

Lucas Rodrigues Vieira- 01/07/2010

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